Pimenta-do-reino — a mais antiga

A pimenta-do-reino e suas derivadas, a pimenta-branca e a pimenta-preta, apresentam propriedades medicinais bem semelhantes às suas irmãs do gênero Capsicum já apresentadas. São utilizadas no Oriente há milênios, onde se sabe que esta pimenta, além de tratar outras doenças, aumenta o poder digestivo, é afrodisíaca, expectorante e vermífuga, indicada tradicionalmente para indigestão crônica, febre, sinusite, alterações metabólicas e obesidade.
Adiante mais informações sobre as propriedades desta notável pimenta.


Efeitos e aplicações gerais da pimenta
 

 

Ajuda a emagrecer
O uso da pimenta vermelha durante as refeições, estimula o
sistema nervoso simpático produzindo aumento da liberação de
catecolaminas (noradrenalina e adrenalina) com conseqüente
diminuição do apetite e da ingestão de calorias, proteínas e
gorduras nas refeições seguintes. Isso mostra que a pimenta pode
ser útil em programas de controle de peso corporal.
Recentemente, canadenses e holandeses descobriram ser a
pimenta um bom recurso contra o excesso de peso. As evidências
vêm de um trabalho conjunto entre cientistas da Universidade
Lavai, em Quebec, no Canadá, com colegas do Centro de Ciências
Alimentícias de Wageningen, na Holanda. Segundo o estudo, o
fruto da pimenteira derreteria os estoques de energia acumulados
em forma de gordura corporal. Isso graças à capsaicina,
substância presente na parte mais esbranquiçada, onde ficam as
sementes.
Para quebrar os nutrientes da comida e absorvê-los, o aparelho digestivo gasta muita energia. A capsaicina faz com que ele se abasteça nos depósitos gordurosos. Esse processo, além disso, aumenta a temperatura corporal (termogênese) e, para dissipá-la, são necessárias mais calorias.
Segundo o professor Angelo Tremblay, da Universidade Lavai, que investiga a pimenta há muitos anos, ela realmente ajuda no controle de peso. A nutróloga e especialista em Medicina ortomolecular Tâmara Mazaracki, do Rio de Janeiro, afirma que a capsaicina é capaz de reduzir a formação de gases e melhorar a produção do suco gástrico. Embora a pesquisadora alerte contra o risco da pimenta irritar a parede gástrica, afirma também que a pimenta parece ser capaz de combater a bactéria Helicobacter pylori, envolvida na formação de gastrites e úlceras estomacais.


Uma dica para quem quer perder peso


Cada seis gramas de pimenta queimam 45 calorias!
Antidepressivo

A adrenalina e a noradrenalina também são responsáveis pelo estado de alerta, daí a ingestão de pimenta estar também associada à melhora de ânimo em pessoas deprimidas.
Antioxidante

Antioxidantes como as vitaminas A e E, o betacaroteno e os flavonóides — abundantes nas pimentas, são fundamentais para neutralizar os radicais livres, átomos tóxicos formados a partir do oxigênio, que reagem aleatoriamente com todos os componentes celulares, prejudicando a função das células. A maior parte das doenças degenerativas, processos inflamatórios, imunodeficiência, doenças auto-imunes e o envelhecimento acentuado são determinados pela ação nefasta do excesso de radicais livres. O exercício físico muito intenso provoca uma produção maior de radicais livres.
Bactericida

 Assim como salgar, apimentar os alimentos sempre foi um
recurso para a conservação dos alimentos, inclusive as carnes animais, em épocas em que se desconhecia a refrigeração. Isso é possível graças ao poder bacteriostático e bactericida das pimentas. O mesmo efeito ocorre com o uso da pimenta no organismo. Além de combater as bactérias “ruins”, a pimenta não prejudica o sistema de defesa e até estimula a recuperação imunológica.


Estômago e intestino
Como a ingestão de pimenta aumenta a secreção de saliva, bile e dos ácidos estomacais, pode haver irritação do estômago ou de intestinos sensíveis; mas, por outro lado, essa quantidade extra de secreção ajuda a digestão em pessoas sem problemas estomacais. Concluímos então que o exagero pode ser prejudicial para os dois casos.


Medicamento natural
A pimenta já está classificada como alimento funcional, ou seja, além dos seus nutrientes, possui componentes que promovem e preservam a saúde. As pimentas são utilizadas como matéria-prima para diversos remédios orais e locais, como os emplastros que aliviam dores musculares ou de reumatismo. Os elementos da pimenta são usados no tratamento de desordens gastrintestinais, enjôos e na prevenção de arteriosclerose, derrame e doenças cardíacas. Contudo, altas doses de drogas que contenham componentes concentrados de pimenta, se
administradas por longos períodos, podem causar gastrite crônica,
agressão ao fígado e aos rins e efeitos neurotóxicos. Isso ocorre
devido ao fato de que essas drogas apresentam concentrações
elevadas de capsaicina ou piperina, não acontecendo o mesmo
com a pimenta in natura, a não ser que sejam ingeridas quantidades absurdas e por longo tempo.
Atualmente, há vários remédios farmacêuticos que utilizam a
pimenta e seus componentes; há cremes e suplementos indicados
para tratamento tópico e oral da acne. Eles agem como antioxidantes, antiinflamatórios e desintoxicantes, aumentando a absorção de outros suplementos, incluindo vitaminas, minerais, aminoácidos.

 
Pimenta contra o câncer de próstata
Já apontamos anteriormente as pesquisas realizadas pelo Dr. Akio Mori da Universidade da Califórnia, Los Angeles, publicadas no American Journal of Cancer Rersearch, sobre a ação dos componentes das pimentas contra o câncer de próstata. Interessante verificar, porém, que a medicina popular já utilizava a pimenta para o tratamento dessa doença. Somente agora a ciência comprova tal efeito. Os cientistas concluem esse poder da pimenta através da verificação de que a capsaicina induz a morte das células anômalas. Os estudos mostram que as células cancerígenas têm a capacidade de burlar a apoptose (suicídio da célula quando há algo anormal nela), realizando uma mutação genética que as preserva; a capsaicina atua impedindo esta defesa e promovendo a morte da célula com esta informação, além de
reduzir as taxas do PSA — hormônio prostático específico, relacionada com o surgimento de tumores da próstata, conforme afirmam o Dr. Soren Lehmann e Chris Hiley, do The Prostate Cancer Charity.
Outra explicação científica para o efeito da pimenta no câncer de próstata é a ação protetora do licopeno (pigmento vermelho das pimentas dessa cor), conforme apontado anteriormente, que inibe o crescimento dos tumores de próstata.
O licopeno e o zinco são abundantes no líquido prostático e a falta
de um ou outro, ou de ambos, está definitivamente ligada à formação do câncer de próstata. As pimentas vermelhas são ricas em ambos (licopeno e zinco).
Notável é verificar que a sabedoria popular aplica, por intuição, aquilo que a ciência humana só utiliza depois de pesquisas e experiências laboratoriais. De qualquer modo, uma auxilia a outra; a primeira através do empirismo, apontando o caminho para a pesquisa, e a segunda através da experimentação
científica.
O Dr. Sérgio Puppin, médico cardiologista e nutrólogo, autor de várias obras e pesquisador do Rio de Janeiro, comentando sobre os efeitos medicinais da pimenta, afirma: “Os componentes anticoagulantes da pimenta ajudam na desobstrução dos vasos sangüíneos”.
Segundo o gastroenterologista e cirurgião Dr. Almino Cardoso Ramos, do Hospital Santa Rita, em São Paulo, o consumo de pimenta é essencial para quem tem enxaqueca ou dor de cabeça crônica: “Elas provocam a liberação de endorfinas, analgésicos naturais extremamente potentes que o nosso cérebro fabrica”. Entre outros benefícios, a pimenta impede a coagulação do sangue e, portanto, evita tromboses, reduz o risco de doenças como câncer, catarata, mal de Alzheimer e diabetes.
Pesquisas científicas recentes mostram que a pimenta é um poderoso aliado no auxílio da saúde e prevenção à depressão e outros males que afetam o humor e a disposição dos seres humanos.

 

Pimenta para combater a depressão
Comentando sobre a medicina chinesa, o médico Arnaldo Marques Filho mostra que é necessário adotar uma dieta balanceada, com o equilíbrio entre alimentos Yin e Yang — palavras de origem chinesa que determinam as duas forças opostas da energia que regem tudo o que há no universo. Dessa maneira, Yin é frio, Yang é quente. De uma maneira geral, as pessoas depressivas, introspectivas e mais lentas deveriam diminuir a quantidade de alimentos Yin, por serem frios e pálidos.
Os alimentos Yin são os doces; os yang os salgados. Para corrigir o
desequilíbrio, indica-se uma dieta mais Yang, à base de folhas
amargas e temperos fortes, como pimenta, para avivar os sentimentos e combater a depressão.

 

Receitas terapêuticas com pimenta


Hemorróidas
Juntar uma colher (sobremesa) não muito cheia de pimenta-do-reino moída a duas colheres (sobremesa) de cominho triturado; misturar bem com 250 ml de mel puro. Tomar esta dose dividida em 2 a 3 vezes ao dia.


Rouquidão e problemas de garganta
Fazer gargarejos com meia colher (sobremesa) de pimenta-do-reino diluída em 2 copos de água morna.


Desmaios freqüentes
É necessário sempre conhecer a causa dos desmaios, mas para casos simples, recomenda-se aspirar uma pequena quantidade de pimenta-do-reino em pó bem fino para pessoas com tendência a desmaiar. Freqüentemente esse procedimento provoca espirros, o que pode explicar o efeito, pois assim além da vasodilatação que a pimenta produz, existe estímulo ao incremento da circulação sanguínea cerebral e cardíaca que o espirro provoca. Isso deve ser feito em situações que
caracteristicamente provocam o desmaio nessas pessoas.

Em termos medicinais, o emprego mais comum de pimentas, desde tempos antigos, seja como alimento ou externamente, foi para tratar o reumatismo. Tal efeito deve-se à notável capacidade das pimentas em produzir vasodilatação e analgesia, seja por via oral ou local. Hoje se sabe que a ingestão de pimenta produz endorfinas, que são mediadores químicos capazes de reduzir a dor e a inflamação.
A pimenta preta é usada na medicina Aiurvédica para tratarnfebre, doenças de desordens digestivas, dificuldades urinárias, reumatismo entre outras.
A capsaicina tem efeito analgésico e antiinflamatório sobre a pele e em tecidos mais profundos quando também em uso tópico, sendo aplicada sob a forma de creme em diversos tipos de reumatismos e dores articulares.


Para o uso da pimenta
Gastrite
No caso da gastrite, a pimenta pode ser prejudicial, se ingerida em grande quantidade. Ela provoca o aumento das enzimas digestivas, inclusive as ácidas, o que agravaria a gastrite, mas, mesmo aqui a pimenta não é mais maléfica do que café, suco de laranja ácida, refrigerante à base de cola, chips, frituras carregadas e abacaxi ácido - alimentos que também não são aconselháveis a quem sofre de gastrite. A pimenta não causa mais acidez do que esses alimentos.
Hemorróidas
No caso de hemorróidas, também se deve evitar o uso da pimenta, mas apenas em casos muito intensos, pois pode haver mais irritação do endotélio (e não dilatação das veias). Há tratamentos externos para lavagem do reto com pimenta diluída para as crises de hemorróidas.
De modo geral, por precaução, recomenda-se que indivíduos com problemas no trato gastrintestinal (gastrite, úlcera, hemorróidas e outros) evitem a ingestão, uma vez que a capsaicina em excesso funciona como um agente agressor das mucosas.
Há também contra-indicações do uso da pimenta para pessoas que sofrem de refluxo gástrico, colite, psoríase, doenças de pele, mas não existem razões ou explicações científicas para isto. Mesmo para quem não sofre desses males, usada moderadamente, a pimenta é um ótimo tônico cardíaco, circulatório, anti-reumático, faz bem para quem tem artrite,
artrose e melhora os sintomas gripais. A semente da pimenta lavada, sem a polpa, seca, moída, é ótima para as doenças infecciosas, tipo reumatismo, artrite e artrose.
Outra idéia errônea, esta mais moderna, aponta que pessoas com dilatação da próstata (HPB) não devem ingerir pimenta porque ela pode agravar o “processo inflamatório”. Esta afirmação é duplamente falsa: primeiramente a pimenta é um antiinflamatório e analgésico e, em segundo lugar, a hipertrofia benigna da próstata não é uma inflamação, mas um crescimento lento do tecido prostático. Existe de fato uma contra-indicação sim, na prostatite, mas, neste caso, estão contra-indicados todos os itens alimentares e bebidas capazes de irritar a mucosa da uretra na prostatite aguda, como álcool, café, chá preto, chá mate, limão, temperos fortes, por fim, pimenta, mas, mesmo assim, só
em excesso. Já vimos anteriormente que a pimenta é indicada tanto no tratamento como na prevenção do câncer de próstata, graças ao seu teor de elementos antioxidantes e protetores do órgão.
Tabus
Existem muitos estigmas e tabus sobre alguns alimentos, considerados prejudiciais à saúde, colocados em questão por médicos e especialistas. Freqüentemente, mesmo profissionais experientes e gabaritados fazem menção a alguns deles, sem procurar se aprofundar mais no assunto. Até há bem pouco tempo, por exemplo, o vinho era tido como prejudicial, mas hoje, foi provado que, ao contrário do que muitas pessoas pensam, uma taça de vinho por dia faz bem ao coração, evitando problemas cardíacos. O chocolate, muito discutido por conter substâncias que viciam, também passou a ser recomendado, em quantidade controlada, já que sua ingestão produz endorfina no organismo de quem o consome, o que causa uma sensação saudável de prazer e bem-estar. Estudos recentes têm revelado também que a pimenta não é um veneno, principalmente para quem tem hemorróidas,
gastrite ou hipertensão, mas um recurso benéfico quando utilizado com moderação.
A nutricionista Daniella Fialho confirma esta premissa, afirmando que “o excesso no consumo de pimenta vermelha pode levar a problemas de saúde, mas seu consumo moderado até faz bem”.
Cuidados durante o manuseio
Acidentes durante o manuseio das pimentas, tanto em nível doméstico quanto industrial, são comuns, principalmente quando os olhos ou a mucosa são atingidos. Manusear a pimenta exige cuidado para evitar irritação da pele e dos olhos.
O pó da pimenta-do-reino, quando muito fino, freqüentemente causa acidentes por inalação, nos olhos ou mucosas da boca. As secas devem ser manuseadas com muito cuidado, pois o processo de secagem acentua bastante a pungência.
É necessário cuidado ao manusear a pimenta. Ao cortar a pimenta vermelha ou ao remover as sementes e as nervuras brancas, deve-se usar luvas finas e lavar os utensílios com sabão e água após o uso. Mesmo uma pequena quantidade de capsaicinóides causa irritação grave ao entrar em contato com os olhos.
As pimentas em pó também, com muita freqüência, enganam cozinheiros menos experientes, que acabam por colocar
pimenta demais nos alimentos que preparam. Essas pimentas não
cedem todo o seu potencial de pungência logo de início, liberando
os princípios ativos aos poucos. Por causa disso, é comum o
cozinheiro experimentar um prato apimentado, julgando ter chegado a um teor adequado e, quando outras pessoas ingerem o preparado, percebem estar excessivamente apimentado.
Um texto interessante da literatura médica clássica chinesa comenta sobre as contra-indicações da pimenta:
Alimentar-se de maneira racional, de acordo com um conceito de saúde, exige diferentes medidas de alimentação adaptadas a diferentes condições. Semelhante à complexidade física, a ocupação profissional, as enfermidades e a região onde habita cada pessoa. Estas condições são ponto de partida para manter o equilíbrio do corpo. Por exemplo, os gordos devem evitar doces e muito óleo. Os magros não devem comer pimenta em demasiado. Os idosos não devem comer alimentos de alta caloria. As crianças não devem nutrir-se em demasiado e nem consumir comidas geladas sem motivo. Pessoas com problemas de pele e asma
devem evitar mariscos como camarão e caranguejo. Os que sofrem do estômago não devem ingerir comidas oleosas e glutinosas. Um mesmo tipo de refeição tem efeito diferente em lugares diferentes. A pimenta, por exemplo, é boa para os habitantes das províncias de Hunan, Yunnan, Guizhou e Sichuan, porque lá a chuva e a umidade predominam, e o picante serve para eliminar a umidade do corpo. No entanto, para os moradores de regiões secas, o picante pode complicar
o equilíbrio interno do organismo.

Miriam Pipari

E-mail: infoholistico@gmail.com

Whatsapp: 71 8166-6996

Formada em Naturopatia, pela Universidade Internacional de Ensino Livre, Terapeuta Holístico, Pelo Instituto Escola em Terapia Holistica, e Holoterapeuta e Cromoterapeuta pelo Instituto Antonio Vieira.

Profissão Cromoterapeuta, Auriculoterpeuta, Técnicas em Medicina Orientais, Técnica de Psicoterapia, Mestre em Reike, e Personal-trainer de Pilates.

Espaço de Medicina Holística Alternativa, fica situado em Salvador

 

Registro CRTH 0451

Abrath Nacional