O PILATES NA FISIOTERAPIA

O nosso dia a dia está cada vez mais corrido e o cuidar da postura diariamente, tanto nas atividades físicas, nas atividades de vida diária e, principalmente, no trabalho está mais difícil. No trabalho, com a consequente repetição de padrões cinéticos, há uma diminuição da flexibilidade e a instalação das alterações posturais, caracterizando os desequilíbrios do sistema osteomioarticular, predispondo o indivíduo a lesões.

Como o fisioterapeuta tem o objetivo de reabilitar a função de indivíduos portadores de um quadro patológico e restabelecer a função perdida decorrente deste quadro, o método pilates, juntamente com tratamento fisioterápico tem como objetivo minimizar as alterações posturais, por meio do aumento da flexibilidade e do fortalecimento muscular globalizado.

Joseph Pilates priorizava a preservação da flexibilidade, isto é, incentivava o fortalecimento global, desde que não prejudicasse a flexibilidade do indivíduo, visto que, em algumas modalidades pode-se observar o incentivo a força e/ou hipertrofia, sem que haja compensação pela flexibilidade. Portanto, tendo essa meta, Pilates buscou exercícios que pudessem oferecer esses benefícios.

Seus exercícios envolvem contrações isotônicas (concêntricas e excêntricas) e, principalmente, isométricas, com ênfase na “power house”, que é composto pelos músculos abdominais, glúteos e paravertebrais lombares, que serão mais bem estudados posteriormente.

Segundo os estudos (Blum, 2002; Kolyniac et al. 2004; Betz, 2005) os resultados do Método Pilates no que compete ao tratamento de desvios posturais e algias osteomioligamentares têm sido satisfatórios. Joseph Pilates atribuía estas conquistas a ênfase do trabalho do centro de força e da consciência corporal. Ele pregava que a concentração e a precisão com as quais os exercícios devem ser realizados exigem do praticante total controle e percepção de seu corpo, o que funciona como estímulos proprioceptivos de grande magnitude. Esses estímulos são responsáveis pela tomada da consciência corporal, isto é, o indivíduo passa a conhecer mais seu próprio corpo, buscando a harmonia de suas estruturas e promovendo uma melhor utilização das mesmas (GAGNON, 2005).

Dessa forma, o método Pilates é capaz de promover o fortalecimento global, melhora da flexibilidade e controle corporal, de forma simultânea.

Para que esses objetivos sejam alcançados, como correções posturais, deve-se fazer uma avaliação física criteriosa, composta por análise postural completa, testes de flexibilidade, testes de força muscular e acompanhamento dos exames por imagem. Por meio destes dados, é possível identificar os grupos musculares comprometidos, assim como as causas e consequências desse comprometimento.

Toda a abordagem de Joseph Pilates é centrada em exercícios de fortalecimento com flexibilização das fibras musculares, Pilates costumava dizer que “se um jovem tem 20 anos e está encurtado, é um velho. Porém, se tem 60 anos com flexibilidade e força é um jovem”.

Com base nisso, o método usa exercícios de ampla flexibilidade com contrações constantes, movimentos lentos, precisos, propriocepção e total concentração. A maioria dos exercícios é de cadeia cinética fechada, propiciando um fortalecimento global da cadeia, e não de uma musculatura isolada. Essas características fazem com que seus exercícios sejam seguros.

6 PRINCÍPIOS DO MÉTODO PILATES

Joseph criou o método com apenas seis princípios básicos, mas com a criação de outras escolas, outros princípios foram agregados. Algumas falam de sete princípios, outras chegam até nove. Explicaremos os princípios desenvolvidos por Joseph originalmente:

 

Concentração: deve-se prestar muita atenção em seus movimentos enquanto os executa. Isso dá consciência corporal e faz com que o sistema nervoso central escolha a combinação correta de músculos para executar determinados exercícios. É a sintonia entre corpo e mente;

Controle: é o fundamental no método que todos os movimentos físicos sejam completamente controlados pela mente. Em resumo, um conjunto de movimentos realizados sem controle leva a exercícios sem a eficácia desejada, sem objetivo. Isso também leva as pessoas a se machucarem;

O Centro (Power House): o corpo humano tem um centro físico onde se originam todos os movimentos. Joseph Pilates chamou este centro de “Casa de Força”. São os músculos: transverso do abdômen, multíferos, diafragma e períneo. Esses músculos associados sustentam a coluna, os órgãos internos e a postura. Todos os exercícios criados por Pilates têm seu foco no Centro de Força de forma a estabilizar tronco e permitir que o corpo seja alongado;

Fluidez: os movimentos devem ser realizados com leveza e harmonia, não podendo ser feitos rapidamente, mantendo a contração do Centro de Força, o controle, a concentração e a respiração;

Respiração: Pilates enfatizava a importância da respiração que mantém uma circulação do sangue pura, pois oxigena o sangue, eliminando gases nocivos. Deve-se coordenar a respiração durante toda a realização do movimento. A respiração nos permitirá introjetar-se e perceber o nosso próprio ritmo, ajustando esse ritmo às necessidades do POWER HOUSE e da fluidez dos movimentos. Joseph pregava que a melhor respiração é expirar com toda a força e depois encher totalmente os pulmões, inspirando o ar profundamente. Como regra geral, deve-se inspirar quando se prepara para fazer um movimento e expirar quando se executa o mesmo.

Precisão: princípio que caminha ao lado do controle. Pilates dizia: “concentre-se nos movimentos certos cada vez que você faz um exercício, caso contrário você os executará de forma inadequada e eles perderão o seu valor”.

Alinhamento postural: se uma parte do corpo está desalinhada, toda a estrutura estará comprometida. O alinhamento nos permite corrigir padrões posturais assimétricos e estruturar o movimento respeitando as vias ósseas, articulares e miofasciais. Deve-se manter o alinhamento axial e das cinturas escapular e pélvica. A pelve deve ser mantida neutra;

Força: adicionar intensidade para desenvolver resistência. A força (também chamado de vigor) nos permite adequá-la às necessidades do corpo do indivíduo, do programa estabelecido e do exercício escolhido.

Relaxamento: aprender a relaxar o corpo e não sobrecarregá-lo. É necessário para liberar as tensões físicas e mentais e preparar o corpo para a execução correta do exercício.

7 RESPIRAÇÃO

Joseph costumava dizer que o ato de respirar “filtrava” o sangue, proporcionando um melhor funcionamento dos órgãos.

Durante a inspiração, o diafragma deprime sua cúpula, comprimindo e deslocando o conteúdo abdominal para frente. O transverso abdominal, por sua ação tônica, e os outros músculos abdominais por meio do relaxamento, evita que essas estruturas sejam expulsas, funcionando assim, como antagonistas- sinergistas do diafragma. Na expiração tranquila há uma ação passiva desses músculos, ocorrendo à retração elástica dos pulmões e do gradil costal. A atividade muscular é detectada apenas durante a expiração forçada, onde o transverso abdominal é o primeiro a ser ativado, demonstrando toda a sua importância na mecânica respiratória.

Hodges procurou relacionar a função estabilizadora do Transverso durante os movimentos dos membros superiores e inferiores. Eletrodos verificaram, por meio do uso da EMG, em associação aos outros músculos abdominais, que o Transverso Abdominal foi, invariavelmente, o primeiro músculo a ser ativado, em relação sinergista principal com o deltoide anterior para membros superiores, e flexores, abdutores e extensores do quadril para membros inferiores, independente da direção adotada na realização dos movimentos. Assim, ao antecipar-se ao movimento e aos distúrbios produzidos pela ação agonista, o Transverso atua produzindo uma rigidez necessária à coluna lombar, evitando que esta sofra qualquer alteração que leve a instabilidade geradora de dor lombar.

Ao ensinar o método Pilates, padrões respiratórios são importantes por várias razões. O diafragma contribui para: a estabilidade espinal, por meio da produção da pressão intra-abdominal; trocas gasosas apropriadas durante o exercício; relaxamento do tronco superior; mobiliza as costelas e a caixa torácica.

É importante que o paciente tenha consciência de qualquer padrão respiratório inadequado que ele possa apresentar, para que este possa corrigi-lo mais facilmente, com a aprendizagem da respiração correta. É encorajada a expansão basal completa da caixa torácica, com a respiração apical mínima. Para a execução do Método também se considera mais adequada à expiração forçada, obrigatoriamente pela boca, tendo controle de tempo para maior tempo de permanência no exercício. A expiração forçada também auxilia no recrutamento do músculo transverso do abdômen. A inspiração deve ser o mais natural possível para que não haja recrutamento de musculatura acessória.

Joseph considerava a respiração o princípio mais importante do seu Método.

8 MECÂNICA RESPIRATÓRIA

1-Inspirar (Estabilidade Estática) – Concentrado: - Expandir a caixa torácica lateralmente; - Evitar a expansão do compartimento abdominal;

2-Expirar (Início da estabilidade dinâmica) – Movimento Fluido - Fase Concêntrica:

- Solicitação do Transverso Abdominal; - Solicitação dos músculos do Assoalho Pélvico;

- Comando verbal, estimulando e ilustrando a mecânica;

- Coordenar o ritmo respiratório com o tempo de execução do movimento, procurar chegar ao final do gesto no final da expiração;

- Soltar todo o ar da caixa torácica antes de reiniciar o processo.

3-Inspirar (Retorno a postura inicial) – Movimento Fluido – Fase Excêntrica:

- Voltar a inspirar, expandir o tórax lateralmente;

- Coordenar o ritmo respiratório com o tempo de retorno, procurar chegar à postura inicial ao final da inspiração.

Ou 3.1- Inspirar (Estabilidade Estática) – Concentrado: - Expandir a caixa torácica lateralmente; - Evitar a expansão do compartimento abdominal; - Inspirar completamente parado, estabilizado na postura.

4-Expirar (Retorno a postura inicial) – Movimento Fluído – Fase Excêntrica:

- Coordenar o ritmo respiratório com o tempo de execução do movimento, procurar chegar ao final do gesto no final da expiração;

- Soltar todo o ar da caixa torácica antes de reiniciar o processo. A fase concêntrica é realizada sempre na expiração.

Expansão da caixa torácica. FONTE: TRATADO DE FISIOLOGIA, 2000.

 

ALINHAMENTO

O alinhamento em nossos corpos sofre várias influências, podendo ter um impacto fora do “ideal”. Geralmente toda a coluna tem seu alinhamento alterado por meio de:

Movimentos habituais, se isso é em resposta da dor e lesão prévia; Hábitos aprendidos; Desenvolvimento, por intermédio de ações repetidas que o paciente

executa. Cultura.

É importante que o paciente tenha consciência de como os movimentos afetam todo o corpo, para uma melhor performance de maneira geral.

As principais áreas, a serem trabalhadas, para aumentar a consciência do alinhamento em todo o corpo são: Cabeça/Cervical, Ombros, Costelas e Pelve.

O ideal para a cervical é iniciar na posição neutra, em preparação para os exercícios de Pilates. Posição neutra é descrita como sendo alongada e liberada (sinal de “sim”), evitando levar o queixo para o tórax (retração cervical), pois isso resulta no uso excessivo dos músculos cervicais superficiais. O descanso da cervical é neutro. Os ombros devem estar alinhados e não podem ficar tensos.

A pelve sempre em posição neutra, sem realizar retroversão/anteversão.

10 “POWER HOUSE” – O CENTRO DAS FORÇAS

Power House, ou Centro de Força, constitui o que há de mais importante no Método Pilates. Para Joseph era a parte mais importante do corpo, sendo a área entre a base da sua caixa torácica e a linha que vai de um quadril ao outro. Fortalecer este Cilindro é o objetivo maior do Pilates.

É composto por quatro músculos. São eles:

 

Transverso do abdômen: tem a função de estabilizar as vértebras lombares. É um músculo involuntário. É ligado neurologicamente ao períneo (possui a mesma inervação) e, por isso, sua contração só é possível quando simultânea à contração do períneo. Também só entra em ação na expiração forçada;

Períneo: músculo do assoalho pélvico, fazendo sustentação visceral, causando uma pressão positiva. Suas ações são diretamente proporcionais, ou seja, quanto maior a pressão intra-abdominal, maior a estabilização lombar;

Multíferos: trata-se de um músculo bem interno da coluna e que tem a função de estabilizar a coluna. Faz a flexão lateral da coluna e rotação lateral do tronco, também sendo um auxiliar na extensão;

Diafragma: tem a forma de cúpula. Na inspiração, ele aplaina para expansão da caixa

torácica (quando a respiração é mais anatômica possível, ou seja, sem protusão abdominal). Como ele tem inserções nas vértebras lombares, também possui a função de estabilização da coluna.

O conceito que Joseph Pilates chamou de POWER HOUSE (casa de força) é coordenar a mecânica respiratória do DIAFRAGMA, com a sinergia dos MÚSCULOS ABDOMINAIS (principalmente o Transverso do Abdômen), MULTÍFEROS e PERÍNEO, conseguindo assim estabilizar a coluna lombar. Sabe- se que o transverso do abdômen e o oblíquo interno são os únicos músculos a ter conexões com o tronco anterior e com a coluna, por isso autoridades australianas em estabilização de coluna descrevem estes músculos como um cilindro tridimensional:

Frente e lado do cilindro são feitos pelo transverso do abdômen e oblíquo interno;

• • •

Atrás está o multíferos; A base é constituída pelos músculos do assoalho pélvico; O teto é constituído pelo diafragma.

A estabilidade da coluna lombar depende dos músculos "do centro" fortes e trabalhando em conjunto para transformar o abdômen e a coluna resistentes, o que é essencial para a vida diária e atividades desportivas, e, é isso o que Joseph Pilates propõe com o conceito de 'POWER HOUSE'. Ele ainda considerava os músculos períneo e transverso do abdômen.

Segundo Kendall, (1993) "uma insuficiência em controle postural podem causar cargas excessivas aos tecidos do corpo, deixando a coluna vertebral às lesões”.

A essência da estabilidade da coluna vertebral é aliar a flexibilidade com força, portanto o sistema muscular fornece a 1a linha de defesa contra o entortamento da coluna osteoligamentar.

A "POWER HOUSE" faz com que possamos desenvolver a estabilidade ativa da coluna lombar, o que possibilita ao paciente e/ou aluno a educar a relação membros inferiores/bacia organizada/organização axial nas posturas deitado, sentado e em pé, dando foco no trabalho, não só na força dos músculos do tronco, mas também desenvolvendo a coordenação e o melhor padrão da atividade muscular. Além disso, com a "POWER HOUSE" ativa, há a organização da coluna dorsal, desbloqueando a cintura escapular, educando os movimentos fisiológicos das escápulas, eliminando as tensões e desequilíbrios que refletem na coluna cervical. Tudo isso junto possibilita a liberação dos movimentos da cabeça. A somatória de tudo é um tronco estável, forte e flexível para organizar membros inferiores e membros superiores alinhados e com fluidez de movimentos.

Joseph Pilates dizia: "VOCÊ É TÃO JOVEM COMO A FLEXIBILIDADE DA SUA COLUNA".

 

Alguns outros músculos são importantes para ajudar a Power House. São eles:

  Paravertebrais: são motores primários da extensão;

 Intertransversários: situado entre os processos transversos (promovendo a flexão lateral), e entre os processos espinhosos (auxiliar na extensão).

 

Miriam Pipari

E-mail: infoholistico@gmail.com

Whatsapp: 71 8166-6996

Formada em Naturopatia, pela Universidade Internacional de Ensino Livre, Terapeuta Holístico, Pelo Instituto Escola em Terapia Holistica, e Holoterapeuta e Cromoterapeuta pelo Instituto Antonio Vieira.

Profissão Cromoterapeuta, Auriculoterpeuta, Técnicas em Medicina Orientais, Técnica de Psicoterapia, Mestre em Reike, e Personal-trainer de Pilates.

Espaço de Medicina Holística Alternativa, fica situado em Salvador

 

Registro CRTH 0451

Abrath Nacional